Jaguar e o choro na Toscana

Com grande prazer, o Choro de Rua encontrou o cartunista Jaguar (ou foi encontrado por ele?!) na bela Bagno Vignoni, pequeno burgo da Toscana cuja praça central é uma piscina de águas termais do século 16. Poucas semanas depois, eis que Jaguar escreve sobre o encontro em sua coluna no jornal O Dia… bem, o artigo fala por si só 😉

Auto-retrato feito pelo Jaguar para o Choro de Rua, em Bagno Vignoni

Depois de muito bate-papo sobre música e demais afins com o Jaguar e com o Nélson, lá pelas tantas o cartunista sacou do bolso um pedaço de papel e nos presenteou com um auto-retrato feito ali, na hora, fresquinho! Pronto, o dia estava ganho.

Marcolino

Reprodução da coluna do Jaguar no periódico O Dia, do Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2015

O melhor da viagem de Roma a Trieste, em que rodamos quase 4 mil quilômetros numa caminhonete pelas estradas da Itália, foram os erros de percurso

O melhor da viagem de Roma a Trieste, em que rodamos quase 4 mil quilômetros numa caminhonete pelas estradas da Itália, foram os erros de percurso. Um deles nos levou a Bagno Vignoni — no Parque Natural Artístico Natural e Cultural do Vale de Órcia — onde fomos parar quando procurávamos o caminho de Peruggia, onde nasceu o pai de Célia.

É uma estação termal antiga como o império romano, frequentada por ilustres personagens, como o Papa Pio II ‘Piccolomini’ e Lourenço, o Magnífico, em 1490, dez anos de Pedro Álvares Cabral descobrir o Brasil, também por erro de percurso. Ficamos no Hotel Posta Marcucci; em tempos idos foi uma estrebaria onde as carruagens trocavam de cavalos.

Para vocês terem uma ideia, Bagno Vignoni deve ser menor que o Shopping Leblon, mas tem três magníficos restaurantes, um deles estrelado pelo Guia Michelin, e a capela de São Batista, com afresco atribuído a Ventura Salimbeni. Estávamos postos em sossego na mesa de um bar, embalados pelo macio murmúrio da fonte termal. Segundo uma inscrição esculpida em grego antigo, essas águas devolvem a saúde aos enfermos com seu doce banho.

De repente, vindos do terraço ao lado da fonte, ouvimos os primeiros acordes de ‘Carinhoso’, de Pixinguinha e João de Barros. Flauta e violão. Pensamos que era uma gravação, devido à qualidade do som dos intérpretes. Mas, quando começamos — turista brasileiro, mesmo sóbrio, sempre paga mico — a cantar a letra (“Meu coração, não sei por quê/ bate infeliz, quando te vê…”), a música parou, e os músicos foram ver o que estava baixando o nível musical (o Quarteto Sem Cy — Nelson, Ana, Célia e eu).

Trata-se de um jovem casal, Barbara Piperno, italiana, clarineta, e Marco Ruviaro, paulista, violão sete cordas e bandolim. Além de ótimos intérpretes, com formação clássica, são também compositores. E escolheram um nome excelente para o duo: Choro de Rua. Pelo que entendi, estão em turnê pela Itália, onde moram. Tocam em bares, hotéis e, como o nome indica, na rua. Vou mandar cópias do CD delespara Luciana Rabelo. Mais detalhes da dupla pelo site www.choroderua.com/exclusive/.

Miele, outro que furou a fila, como Carvana e João Ubaldo. Não fui ao enterro. Iria me lembrar que planejamos abrir um boteco chamado Saideira ao lado do cemitério e acabaria rindo. Semana que vem, publicarei trechos de uma entrevista que deu para o ‘Pasquim’, em 1977.

Jaguar, cartunista

Coluna publicada em 17 de outubro de 2015 no jornal “O Dia” (http://goo.gl/CSVmtV).

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